assumir a natureza humana

Foi-me solicitado por várias formas que assinasse uma petição com vista à legalização do consumo de canabis.

Não sei até que ponto as petições online têm força legal, o Jorge C. poder-me-á ajudar nisto, mas suporia que os números de consumidores fosse suficiente para levantar a questão e debatê-la com pragmatismo. Já foi na Holanda e Suíça e agora o governador da Califórnia, o Republicano Shwarznegger, propõe o debate também com base em pressupostos economicistas.

É altura de refletir e dizer que é da natureza humana a alteração do estado, seja com alcool, canabinóides ou qualquer outra droga extraída de plantas ou sintetizada em laboratório. É altura de pensar se a socialiação do consumo não ajuda a evitar casos trágicos de dependências, se não estamos de facto no nosso direito de alterar os nossos estados de espírito químicamente e com o produto com que se adequa a nós e à maneira de ser  de cada um de nós. Se a regulação e fiscalização do consumo não quebrarão impérios financeiros sem controlo nenhum e que interferem nas decisões políticas de quem tem de se submeter ao seu poderio.

Uso um nickname, mas quem me conhece sabe que o diria escrevendo com o meu nome legal: uso drogas diversas há mais de 20 anos, sem nunca ter tido problemas de maior, sem nunca ter tido uma adição e creio que os meios sociais com que me  rodeei ao longo dos meus anos de consumo também me ajudarm a saber fazer uso de estupefacientes. É de resto o que fizeram os meus pais comigo relativamente ao alcool.

5 Respostas to “assumir a natureza humana”

  1. Bem, tanto quanto sei as petições não têm força legal absolutamente nenhuma. Elas são só uma manifestação de uma opinião dos cidadãos que pode ser ou não aceite pelas entidades políticas. Digamos que elas são um parente afastado de um parecer favorável (não vinculativo). O que significa que ninguém fica obrigado a segui-lo e se o seguir legitima a sua decisão nessa posição numerosa dos cidadãos.

    Quanto ao resto, estou de pleno acordo com o sentido deste post. Parece-me que a “normalização” (espero que me permitas o termo e não tenhas qualquer género de prurido) do consumo, no sentido do que falas relativamente à socialização, é essencial. O que nós precisamos é de uma sociedade madura que se sabe comportar e que conhece os riscos do excesso. Essa consciência não é de todo incompatível com a proibição e com a ilegalização. Mas é também um pouco ilusória, ou romântica, se preferires. E eu sofro desse mal, confesso.
    Hoje, corremos o risco de ver o álcool ainda mais discriminado passando esse assunto para uma comissão de toxicodependência. Depois de tanto trabalho com normas de higiene e segurança no trabalho – perdoa-me a redundância -, depois das acções de prevenção rodoviária – prevenção que é mais coerciva do que preventiva, mas enfim – e de uma transformação social no que aos hábitos culturais diz respeito, essa iniciativa parece-me um retrocesso na maturação social.
    E se assim o é com o álcool imaginemos como não será a mentalidade política relativamente à cannabis ou a outras drogas. Daí a importância de uma petição destas. É claro que a estética é essencial, que tenha uma imagem séria, e muitas vezes nestas situações não tem.

    O Jorge Lima Barreto tem um ensaio curioso sobre as drogas e o rock onde faz uma espécie de árvore geneológica e de interligação entre movimentos tribais e as respectivas drogas desde as tribos africanas, ou melhor, desde o berço do mundo que, até ao que se sabe, não é Guimarães e muito menos Bruxelas.
    Quero com isto dizer que o consumo social das drogas e a sua dimensão cultural não podem ser ignoradas porque estão intrinsecamente ligadas a valores criativos e a círculos culturais de socialização mais relevantes que qualquer comportamento legal forçado para obrigar a uma sociedade mais higiénica.
    A proibição, pela própria experiência do século XX, pode ser contraproducente, sendo a Lei Seca em Chicago um dos maiores exemplos, tal como as relações de enorme promiscuidade e corrupção geradas pelo narco-tráfico.

    E termino por aqui que já me adiantei demais.

  2. Onde se lê “Essa consciência não é de todo incompatível com a proibição e com a ilegalização” deve antes ler-se “Essa consciência não é de todo compatível com a proibição e com a ilegalização”

    Obrigado e um bem-haja!

  3. drmaybe Says:

    como estávamos à pouco a a falar disto, é se calhar importante dizer que mesmo sem errata pode ser verdade: Essa consciência pode não ser incompatível com a proibição ou a ilegalização. A consciência até existirá já, falta é o resto, as questões económicas, máfias da droga e inclusivamente a lei portuguesa relativamente ao consumo é até um reflexo da mesma.

  4. Deixo agora as drogas de lado e passo ao alcool: como disseste, a “socialização” era feita em casa, com a família. Lembro-me de começar a beber com uns 13 ou 14 anos, pequenas doses. Aos 15 já distinguia um maduro de um verde e conhecia bem a diferença entre um porto e um favaios.
    Agora os paizinhos preferem cortar os pulsos a dar um alvarinho ou até uma simples cerveja aos adolescentes… mas qd os vejo na noite, consomem quantidades absurdas de shots longe dos olhares dos ricos e patetas paizinhos. O prazer que eu retiro de um copo de bom vinho nada tem a ver com aquele entorpecimento, aquele “aguentar”.
    Portanto, creio que uma abordagem menos paranóica dos “perigos” teria melhores resultados na prevenção de dependências. Isso vale tanto para o alcool como para algumas drogas, como a canabis.

    (E é que nem posso ser acusada de parte interessada, já que não consumo drogas e não tenciona fazê-lo: iria fazer um triste figura, eu, a gaja que com um xanax 0,25 dorme dez horas seguidas. :)))

    • drmaybe Says:

      pois, eu mesmo enquadrado tive as minhas grandes pielas mas depois passa. quanto ao cannabis acho que é uma droga leve comparado com o xanax mas a mim nem uma nem outra me entusiasma.

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