Este ano a papoila não pega na minha lapela
Não tenho grande apego a comemorações de datas e ainda menos ao culto dos mortos. Como os heróis da guerra valem também os heróis da paz e ainda os de todos os dias, no entanto confesso que a comemoração do Armistício da 1ª Grande Guerra me toca, naturalmente pela chacina que representou. Compreendo também, que na mesma comemoração seja lembrada a 2ª Guerra Mundial, pelos mortos, pelos que lutaram contra o fascismo e o nazismo e pela vitória sobre os mesmos. O “Rememberance Day” começou por ser isto, o lembrar de todos os que morreram na guerra e lutaram para defender o seu país e o seu ideal.
Já não consigo perceber, que o “Rememberance Day” seja alargado a todos os que morreram em todas as guerras do Reino Unido. Hoje é isso o “Rememberance Day”. Um dia para lembrar todos os que morreram a lutar por um país, nas duas Grandes Guerras, nas Malvinas, no Iraque, no Afeganistão. Inevitavelmente os políticos e também todos os que participam na comemoração assim o entendem. Compadeço-me com as famílias daqueles que morrem, mas não posso esquecer os milhões de civis que morreram e ainda morrem no Iraque, depois da sua invasão, no erro imenso que é o esforço de guerra no Afeganistão quando poderia ser convertido com melhores resultados em desenvolvimento económico e civilizacional do mesmo.
Naturalmente que os responsáveis pelas guerras recentes em que o Reino Unido está envolvido, jogam no espaço da propaganda, sempre com muito cuidado, quando ligam coisas que são absolutamente diferentes. Eles sim, misturam alhos com bugalhos.